Em um texto enviado ao Blog do Bruno Muniz, a Comissão de Pesquisa, Levantamento Histórico e Patrimonial da paróquia de Santa Cruz do C...

Comissão de Levantamento Histórico se posicionada contrária à asfaltamento de avenida em Santa Cruz do Capibaribe

quarta-feira, dezembro 13, 2017 Marcelo Santa Cruz 0 Comentários


Em um texto enviado ao Blog do Bruno Muniz, a Comissão de Pesquisa, Levantamento Histórico e Patrimonial da paróquia de Santa Cruz do Capibaribe se posicionou contrária ao processo de asfaltamento da Avenida Padre Zuzinha (popularmente conhecida como Rua Grande), no Centro de Santa Cruz do Capibaribe. O grupo fez uma projeção dos danos que o asfaltamento pode gerar na via. Confira a dissertação:

Debaixo da sombra das gameleiras da rua grande não há somente troncos, raízes e uma rua. Ali há boa parte da  história de uma cidade. O coração da Santa Cruz acolhedora que somos brotou dali, foi lá que nos construímos enquanto aglomeração urbana, vilarejo, cidade. A origem do que somos está na rua grande.

A memória, seja ela social, política ou afetiva, está guardada dentro de cada um de nós. Ela vai sendo construída, como se estivesse sendo gravado nas nossas mentes um filme. O que nossa retina vê, o que nossos ouvidos ouvem, o nosso caminhar por um lugar, as lutas e embates que vivenciamos, os acontecimentos banais do cotidiano formam e nutrem a memória. A história de um lugar também é uma construção, e além do tempo, é necessária memória para construi-la. A Avenida Padre Zuzinha é um dos mais importantes lugares de memória da nossa historia.
A imagem pode conter: árvore, céu e atividades ao ar livre

Naquela rua repousam vários acontecimentos - cotidianos, políticos, sociais e afetivos -  da história de Santa Cruz. As feiras livres, as festas do padroeiro, os desfiles cívicos, os cinemas, as apresentações e a sede da Novo Século, as paqueras dos jovens, as músicas tocadas na rádio difusora, a mulher apressada que comprava tomates na feira, a senhora que vendia potes de barro, o menino que se encantava com as luzes e brinquedos do parque de diversão. São muitas as personagens e os roteiros, e o palco era a rua grande com suas frondosas gameleiras e a igreja Matriz ao fundo. 

Revitalizar a rua é importante, preservar, valorizar essas tantas histórias, rememora-las e mesmo dar àquela rua uma nova vida, atribuir ao seu espaço novos caminhares, é essencial. No entanto, é preciso muito cuidado e sensibilidade para compreender que não  podemos descaracterizar a essência do lugar. O asfalto descaracteriza, ele encobre e impossibilita que as novas gerações sintam e conheçam tanta história que por ali passou.

O asfalto pode trazer danos à vida dos habitantes daquela rua. Ele é quente, aumenta a sensação térmica, é impermeável, podendo trazer uma série de problemas na época das chuvas, problemas à manutenção e à vida  das árvores centenárias plantadas lá. Entretanto, nenhum desses impactos negativos se compara aos danos  irreversíveis à  memória e à identidade que aquele local corre ao descaracterizarmos tanto sua materialidade.


Todo o legado cultural e histórico que repousa nos paralelepípedos assentados ali deve ser preservado e compreendido como patrimônio material e cultural de um povo. Negar sua importância e a necessidade de preservação da mesma é negar a nossa própria historia.

Dessa maneira, solicitamos ao poder público que ouça a população em geral; moradores da rua, historiadores, artistas, trabalhadores. Que seja feita uma audiência pública para discutir a colocação ou não do asfalto naquela rua. É preciso saber dos riscos que a história da cidade  corre, e mais urgente ainda, é preciso lutar para preservar o que ainda nos resta dela.

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