"Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei" Jesus Cristo Olá meus amigos de Brejo da Madre de Deus, esta semana lia...

Nas Entrelinhas- Coluna de Valdeci Júnior

terça-feira, dezembro 27, 2016 Marcelo Santa Cruz 0 Comentários


"Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei"

Jesus Cristo


Olá meus amigos de Brejo da Madre de Deus, esta semana lia alguns escritos de Karl Liebnecht, ideólogo alemão que conviveu e militou com Rosa de Luxemburgo, e chegava ele a seguinte conclusão, todo religioso deveria ser de esquerda. Apesar de Marx dizer que a religião era o ópio do povo, ele não se referia a Deus, e sim a religião, pois entendia que a religião era um produto do "sistema" criado para justificar o status quo: "o nobre é nobre porque Deus quis assim", "os pobres devem se contentar com o que tem porque vão pro céu depois".

Bom, o tema religião é sempre muito delicado e envolve muitas paixões, mas é preciso tocar nesse assunto diante de tudo que vem se observando nos últimos anos e pela época em que estamos. Ao afirmar que todo religioso deveria ser de esquerda, Karl entende que a religião ocupa um espaço importante na vida das pessoas, e entende que os ensinamentos de Cristo são muito próximos dos ideais de esquerda, mas vamos entender primeiro o que é ser de esquerda.

Resultado de imagem para um olhar alemMuitas pessoas associam erroneamente que ser de esquerda é andar vestido de roupa militar, querer tomar as coisas dos outros, viver sob uma ditadura (embora muitos desejem que o Brasil volte a ter uma ditadura) e a perca da liberdade. Isso muito de deve as experiências socialistas vividas na antiga URSS, China e Cuba, principalmente, onde se instalaram ditaduras de esquerda, mas ser socialista não significa isso. Estas pessoas esquecem de mencionar as experiências muito exitosas da social democracia europeia em países como Noruega, Suécia e Dinamarca. E ainda que o capitalismo também teve e tem suas ditaduras de direita como Fascismo Italiano, o Nazismo Alemão, a ditadura de Salazar em Portugal, Pinochet no Chile, o Franquismo na Espanha, entre outras, a ditadura brasileira tão sofrida para nós. Mas somos o único país do mundo que passou por esta experiência e que alguns pedem a volta da ditadura, talvez Tim Maia esteja certo ao dizer, que, “Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúmes, traficante se vicia e pobre é de direita”. Mas vamos compreender o tema.

Primeiro devemos entender que direita, esquerda, centro, liberalismo, conservadorismo são ideologias, pontos de vista sobre determinadas políticas de governo, que podem e devem viver harmonicamente numa democracia. As ideologias “esquerda” e “direita” foram criadas durante as assembleias francesas do século 18. Nessa época, a burguesia procurava, com o apoio da população mais pobre, diminuir os poderes da nobreza e do clero. Era a primeira fase da Revolução Francesa (1789-1799). 

Com a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constituição, as camadas mais ricas não gostaram da participação das mais pobres, e preferiram não se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado à luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e à elite. 

Dentro dessa visão, ser de esquerda presumiria lutar pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual.
Para o filósofo político Noberto Bobbio, embora os dois lados realizem reformas, uma diferença seria que a esquerda busca promover a justiça social enquanto a direita trabalha pela liberdade individual. 

Após a queda do Muro de Berlim (1989), que pôs fim à polarização EUA x URSS, um novo cenário político se abriu. Por isso, hoje, as palavras ‘esquerda’ e ‘direita’ parecem não dar conta da diversidade política do século 21. Isso não quer dizer que a divisão não faça sentido, apenas que ‘esquerda’ e ‘direita’ não são palavras que designam conteúdos fixados de uma vez para sempre. Podem designar diversos conteúdos conforme os tempos e situações.

"Esquerda e direita indicam programas contrapostos com relação a diversos problemas cuja solução pertence habitualmente à ação política, contrastes não só de ideias, mas também de interesses e de valorações a respeito da direção a ser seguida pela sociedade, contrastes que existem em toda a sociedade e que não vejo como possam simplesmente desaparecer. Pode-se naturalmente replicar que os contrastes existem, mas não são mais do tempo em que nasceu a distinção", escreve Bobbio no livro "Direita e Esquerda - Razões e Significados de uma Distinção Política".

No Brasil, essa divisão se fortaleceu no período da Ditadura Militar, onde quem apoiou o golpe dos militares era considerado da direita, e quem defendia o regime socialista, de esquerda. Com o tempo, outras divisões apareceram dentro de cada uma dessas ideologias. Hoje, os partidos de direita abrangem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas, e ainda o nazismo e fascismo na chamada extrema direita. 

Na esquerda, temos os social-democratas, progressistas, socialistas democráticos e ambientalistas. Na extrema-esquerda temos movimentos simultaneamente igualitários e autoritários. Há ainda posição de "centro". Esse pensamento consegue defender o capitalismo sem deixar de se preocupar com o lado social. Em teoria, a política de centro prega mais tolerância e equilíbrio na sociedade. No entanto, ela pode estar mais alinhada com a política de esquerda ou de direita. A origem desse termo vem da Roma Antiga, que o descreve na frase: "In mediun itos" (a virtude está no meio).

A política de centro também pode ser chamada de "terceira via", que idealmente se apresenta não como uma forma de compromisso entre esquerda e direita, mas como uma superação simultânea de uma e de outra.

Essas classificações estariam divididas no que podemos chamar de uma “régua” ideológica:
EXTREMA-ESQUERDA | ESQUERDA | CENTRO-ESQUERDA | CENTRO | CENTRO-DIREITA | DIREITA | EXTREMA-DIREITA

E porque ele acha que os religiosos devem se posicionar a esquerda? Hora, vejamos quais as pautas de qualquer partido de esquerda: defesa das minorias, respeito as diferenças, justiça social, sociedade mais igualitária, defende uma melhor distribuição de renda e prega mudanças na realidade socioeconômica em prol da coletividade. Enquanto que a direita prega basicamente uma posição ideológica conservadora e defensora, hoje, do Neoliberalismo Econômico. Defende a meritocracia e a manutenção da realidade socioeconômica em prol da individualidade, o lucro acima de tudo, o dinheiro e o acumulo de riquezas, o materialismo, a exploração do meio ambiente de forma indiscriminada, isolacionismo, ideia de que existe alguém melhor e superior aos demais, ganância e individualismo são sempre associadas as ideias de direita.


Então responda, um religioso deve buscar o individualismo ou a coletividade? a defesa dos menos favorecidos ou a defesa dos mais abastados? O respeito as diferenças ou a exclusão dos desvalidos? A defesa dos direitos de muitos ou o privilégio de poucos? A resposta é óbvia.

Valdeci Ferreira Junior é professor das Faculdades Mauricio de Nassau, Professor das redes Municipal de Brejo da Madre de Deus e da rede Estadual de Ensino, Acadêmico do Curso de Direito da Unifavip e analista político. 

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